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Livro de médico trofense soma distinções e nomeações no Brasil e em Portugal
A novela gráfica “Dormindo entre Cadáveres”, do médico trofense Luís Moreira Gonçalves e do ilustrador brasileiro Felipe Parucci, continua a ganhar reconhecimento no universo da banda desenhada, somando distinções e nomeações em prémios no Brasil e em Portugal.
A obra alcançou o 3.º lugar no Prémio Grampo 2026 de Grandes HQs, iniciativa brasileira dedicada à distinção das melhores novelas gráficas do ano. Publicado no Brasil pela editora Comix Zone, o livro reuniu 43 pontos e integrou sete listas dos jurados convidados. O vencedor foi “Algumas de suas Verdades Ainda Moram em Mim”, de Alexandre S. Lourenço, seguindo-se “Boca de Siri”, de Paulo Moreira.
Além da distinção no Prémio Grampo, “Dormindo entre Cadáveres” integra também a lista de nomeados para o 42.º Troféu Angelo Agostini, um dos mais antigos e prestigiados prémios brasileiros dedicados à banda desenhada. A obra surge entre os indicados na categoria de “Quadrinho”, ao lado de títulos como “Boca de Siri”, “Domingos” e “Incidente em Antares”.
Em Portugal, o livro está igualmente nomeado para os XXIII Troféus Central Comics, concorrendo nas categorias de Melhor Publicação Estrangeira e Melhor Argumento Português. Luís Moreira Gonçalves surge ainda entre os candidatos a Melhor Autor Internacional.
A obra nasceu a partir da experiência vivida pelo autor durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. Natural da Trofa, Luís Moreira Gonçalves mudou-se para aquele país em 2017, onde era investigador e professor na Universidade de São Paulo. Em janeiro de 2021, aceitou integrar um hospital de campanha em Porto Velho, no estado da Rondónia, no norte do Brasil, numa altura em que a região enfrentava uma situação crítica provocada pela variante P1 do coronavírus.
O que encontrou no terreno acabaria por dar origem ao livro. “Dormindo entre Cadáveres” relata os bastidores da pandemia na Amazónia brasileira, recorrendo a “relatos na primeira pessoa”, com uma abordagem que mistura “rigor factual com uma linguagem poética”.
Numa entrevista anterior ao jornal O Notícias da Trofa, Luís Moreira Gonçalves admitiu ter ficado “profundamente surpreendido” com a receção da obra, revelando que leitores lhe transmitiram que conseguiram “rir e chorar com o livro”.
A novela gráfica aborda não apenas a realidade vivida dentro do hospital de campanha, mas também as consequências pessoais da decisão do médico em permanecer na linha da frente da pandemia. Durante esse período, Luís Moreira Gonçalves entrou em conflito com a Universidade de São Paulo, após recusar abandonar a missão médica para regressar às funções académicas, situação que acabou por levar ao pedido de exoneração.
Atualmente a exercer psiquiatria em São Paulo, o autor considera que a pandemia expôs fragilidades institucionais e deixou aprendizagens que não devem ser esquecidas. “A pandemia, tal como noutros momentos de catástrofe, é um período no qual as instituições são testadas”, afirmou.
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