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Desabafos de uma Mãe Imperfeita

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Há uma parte da maternidade para a qual ninguém nos prepara verdadeiramente.

Falam-nos do cansaço, da privação de sono, das cólicas… Mas não nos falam da nossa transformação.
De repente já não somos só a mulher, a esposa ou companheira, a filha… somos também mãe.

E esse “também” pesa-nos mais do que imaginávamos.

Porque nenhum dos outros papéis desaparece. Acumulam-se. E, no meio de tudo isto, há um pequeno ser completamente dependente de nós.

Ninguém nos prepara para a nossa mudança. É o corpo que muda, mas são também as emoções que se intensificam. Vivemos num turbilhão constante e, ainda assim, o mundo continua.

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Há expectativas, pressões silenciosas e a ideia de que devemos conseguir ser tudo – e fazê-lo bem.

Temos de ser mães presentes, esposas ou companheiras disponíveis, cuidar da casa, cuidar de nós e, de preferência, “voltar ao que éramos” rapidamente.

Mas a verdade é outra: nós mudamos. Definitivamente.

Durante muito tempo senti que me perdi no meio de todo este turbilhão.

Fui estando para todos e, no caminho, fui-me esquecendo de mim. Até perceber que não era suposto eu me anular para poder cuidar.

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Na minha segunda gravidez tentei fazer diferente. Não foi perfeito. Muito menos fácil. Mas houve uma mudança muito importante: lembrei-me de mim mais vezes.

Parei, escutei e escutei-me, e respeitei os meus limites. Nem sempre consegui, é verdade, mas fi-lo mais vezes do que antes. E isso fez a diferença. Não porque passei a fazer tudo melhor, mas porque deixei de me exigir tanto e de me apagar no caminho. E a leveza que isso me trouxe permitiu-me ser uma mulher, uma esposa, uma filha e uma mãe mais tranquila e mais presente, em todos os sentidos.

Há dias em que ainda sinto que não sou o suficiente. Mas já não me prendo a esse sentimento e percebo de onde vem essa sensação.

E, então, lembro-me de tudo o que não se vê: o esforço, a presença, a tentativa constante.

Hoje sei que não sou só mãe. Sou mulher, sou pessoa, sou alguém com sonhos, limites e vontades.

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Porque ser mãe não é conseguir dar conta de tudo a qualquer custo e cuidar de mim não me afasta deles. Aproxima-me.

Talvez, ser mãe, seja mesmo não nos perdermos completamente no processo.

Porque uma mãe que se inclui é uma mãe mais inteira, mais consciente e mais presente.

Sou mãe e não sou perfeita.

Mas a maternidade ensinou-me que todos os dias são uma oportunidade de recomeçar e que, todos os dias, estou a aprender.

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Por Sandra Pinheiro
sandrapaisfonseca@gmail.com
@sandrapinheiro.comalma

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