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Desabafos de uma Mãe Imperfeita | Nos dias que ninguém vê
Este fim de semana assinalou-se o Dia da Mãe e, como acontece todos os anos, multiplicaram-se as mensagens, as homenagens, as imagens bonitas e as palavras cheias de amor.
Mas a maternidade não vive só nesses dias. Vive, sobretudo, nos dias que ninguém vê. Nos dias que começam cedo demais e acabam quando ainda sentimos que ficou tudo por fazer. Nos dias feitos de rotinas que se repetem, de pedidos que não param, de frases ditas vezes sem conta. Nos dias em que estamos atentas a tudo, quase ao mesmo tempo — ao que falta, ao que pode acontecer, ao que é preciso antecipar.
Há uma presença constante que não se desliga. Como se uma parte de nós estivesse sempre desperta, mesmo quando o corpo pede pausa. E há um cansaço que não se justifica pelas horas de sono em atraso. É um cansaço que vem de dentro. De pensar por todos, de tentar chegar a tudo, de cuidar, organizar, decidir, antecipar…vezes sem conta.
E, ainda assim, continuamos.
Nem sempre leves. Nem sempre pacientes. Nem sempre como gostaríamos. Mas continuamos.
E, aqui, a maternidade ganha a sua forma mais verdadeira. Não nas imagens perfeitas, nem nos dias especiais. Mas nos pequenos gestos que ninguém aplaude. Num prato preparado sem que ninguém peça. Num olhar atento que percebe antes das palavras. Num abraço dado no meio do cansaço. Na forma como dizemos “estou aqui” — mesmo quando também precisávamos de colo.
Porque, no meio de tudo isto, existe uma beleza difícil de explicar.
Uma beleza que não é perfeita, mas é profunda; que não é leve todos os dias, mas é real.
Há um amor que cresce na repetição, na presença, nos dias comuns. Há risos que surgem quando menos esperamos. Abraços que nos encontram mesmo quando estamos cansadas e uma ligação que se constrói devagar, quase em silêncio, mas que fica para sempre.
Ser mãe não é um “mar de rosas”. Mas também não é apenas cansaço. É este lugar onde cabem as duas coisas. Onde o difícil e o bonito coexistem, todos os dias.
E o Dia da Mãe pode ser também isto. Não apenas um momento de celebração, mas um convite ao reconhecimento. Reconhecer a mãe real. A mãe que tenta, a mãe que falha, a mãe que se cansa, a mãe que duvida mas que continua, sempre. A mãe que ama, mesmo quando não o diz e a mãe que está, mesmo quando ninguém vê.
E também todas aquelas que são mães de outras formas. As que cuidam, acompanham e sustentam, mesmo sem o “título”.
E aquelas para quem este dia traz um silêncio diferente. Pela ausência, pela distância ou pela saudade.
Porque a maternidade não é igual para todas. E este dia também não se sente da mesma forma em todos os corações.
No fundo, ser mãe é isto: continuar. Continuar com amor, com imperfeição e com força, mesmo quando não parece.
Mesmo nos dias que ninguém vê.
Por Sandra Pinheiro
sandrapaisfonseca@gmail.com
@sandrapinheiro.comalma
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